quarta-feira, 7 de março de 2012

Quinhentismo

O Quinhentismo brasileiro, isto é, o conjunto de manifestações dos anos de 1500 (século XVI), retrata, mais do que qualquer outro período, a condição colonial do Brasil com a terra e população vistas como abjetos a serem considerados.

A literatura é feita no Brasil,  fala do Brasil, mas reflete a visão de mundo, as ambições, as intenções do homem europeu, particurlarmente do ibérico, que manifesta duas preocupações distintas e, apesar do aparente antagonismo, complementares: de um lado, a preocupação com a conquista material resultante da política das Grandes Navegações; de outro, a preocupação com a conquista espiritual, a necessidade de ampliar a fé cristã, resultante do movimento religioso da Contrareforma. Contam que os navegadores portugueses afirmavam, ao desembarcar em terras recém-descobertas: "Viemos buscar cristãos e especiarias".

Oberve como, na "Carta " de Pero Vaz de Caminha ao rei de Portugal, D. Manuel, coexistem essas intenções:


Esta terra, Senhor, me parece que da ponta que mais contra o sul vimos até outra ponta que contra o norte vem, de que nós deste porto houvemos vista1, será tamanha que haverá nela bem vinte ou vinte cinco léguas por costa. Tem, ao longo do mar, nalgumas partes, grandes barreiras, delas vermelhas, delas2 brancas; e a terra por cima toda chã3 e muito cheia de grandes arvoredos. De ponta a ponta, é tudo praia-palma4, muito chã e muito formosa.

Pelo sertão nos pareceu, vista do mar, muito grande, porque, a estender olhos, não podíamos ver senão terra com arvoredos, que nos parecia muito longa.

Nela, até agora, não pudemos saber que haja ouro, nem prata, nem coisa alguma de metal ou ferro; nem lho vimos. Porém a terra em si é de muito bons ares, assim frios e temperados, como os de Entre-Douro e Minho5, porque neste tempo de agora os achávamos como os de lá.

Águas são muitas; infindas. E em tal maneira é graciosa que, querendo-a aproveitar, dar-se-á nela tudo, por bem das águas que tem.

Porém o melhor fruto, que dela se pode tirar me parece que será salvar esta gente. E esta deve ser a principal semente que Vossa Alteza em ela deve lançar.

E que não houvesse mais que ter aqui esta pousada para esta navegação de Calecute6, isso bastaria. Quanto mais disposição para se nela cumprir e fazer o que Vossa Alteza tanto deseja, a saber, acrescentamento7, da nossa santa fé.

(In Jaime Cortesão, org. A Carta de Pero Vaz de Caminha, p.239)

1
 houvemos vista: pudemos ver
2
 delas... delas: umas... outras
3
 chã: plana
4
 praia-palma: segundo J. Cortesão, pode significar "toda praia, como a palma, muito chã e muito formosa"
5
 Minho: nome de uma região de Portugal
6
 Calecute: cidade da Índia para onde se dirigiam os portugueses
7 acrescentamento: difusão, expansão
GÊNEROS TEXTUAIS



São “acontecimentos textuais” ligados à nossa vida cultural e social. Pensemos em textos do nosso cotidiano: carta, conversa telefônica, receita, notícia de jornal são exemplos de textos, salvo algumas variações, mantêm  certas características que nos permitem identifica-los.

Não precisamos ver uma pessoa falando ao telefone, nem saber o assunto para afirmarmos que se trata de uma conversa telefônica, porque a estrutura textual é inconfundível. O mesmo acontece com a carta: ao observarmos sua organização textual, sabemos que se trata de uma carta (lugar e data, vocativo inicial, cumprimento, desenvolvimento, despedida, assinatura).

Carta, conversa telefônica, recibo, bula de remédio, receita, sermão, notícia, crônica, tirinha são exemplos de gêneros textuais.

Os gêneros textuais são tipos de textos efetivamente produzidos em nossa vida cotidiana com características gerais comuns (formato, sequência ou estrutura linguística, assunto) facilmente identificáveis. Eles são inúmeros, tanto quanto o são as práticas sociais.

TIPOS TEXTUAIS

São composições linguísticas que tem como característica a predominância de certas estruturas sintáticas, tempos e modos verbais, classes gramaticais etc. , de acordo com sua função e intencionalidade. Há cinco principais tipos textuais:

1)      Narrativo: tipo textual predominante em gêneros como crônica, romance, fábula, piada, conto de fada etc.

2)      Descritivo: tipo textual predominante em gêneros como retrato, anúncio classificado, lista de ingredientes de uma receita (como no texto de abertura), lista de compras, cardápio etc.

3)      Argumentativo: tipo textual predominante em gêneros como manifesto, sermão ensaio, editorial de jornal, crítica, monografia, redação dissertativa, tese de mestrado etc.

4)      Explicativo ou expositivo: tipo textual predominante em gêneros como aulas expositivas, capítulos de livro didático, verbetes de dicionários, enciclopédia, reportagem etc.

5)      Instrucional ou Injuntivo: tipo textual predominante em gêneros como horóscopo, propaganda, receita culinária (modo de fazer), manual de instruções, livros de autoajuda etc.

Gênero textual: NOTÍCIA

Mianmar despeja vítimas dos abrigos

Funcionário da ONU diz que elas são abandonadas sem suprimentos

A junta militar de Mianmar começou ontem a expulsar as vítimas do ciclone Nargis dos acampamentos e abrigos criados pelo governo, aparentemente para evitar que eles se tornem permanentes, segundo denúncia das Nações Unidas.

De acordo com Teh Tai Ring, do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef), oito acampamentos instalados no povoado de Bogalay, no delta do Rio Irrawaddy, foram “totalmente esvaziados”. “O governo está desalojando as pessoas sem avisá-las”, disse Ring. “Eles estão abandonando essa gente em zonas afastadas das aldeias praticamente sem nada.”

Mais tarde, a Unicef emitiu um comunicado fazendo a ressalva de que as declarações foram feitas com base em relatos não confirmados. Em Rangun, mais de 400 pessoas, habitantes da aldeia de Laguna, foram expulsas de uma igreja que lhes servia de refúgio, de acordo com um religioso que não quis se identificar. “Essas pessoas perderam suas cassa, famílias e toda a aldeia foi arrasada”, disse. “Eles não têm para onde ir.”

Com exceção de mulheres grávidas, crianças e doentes graves, os desabrigados foram transportados em 11 caminhões. Segundo as autoridades, eles serão levados para outro acampamento em Myaung Mya, vilarejo pouco afetado pelo ciclone. O governo disse que as pessoas estavam sendo transferidas porque já deu por finalizada a fase de “assistência” às vítimas do desastre e pretende iniciar a etapa de “reconstrução”.

O ciclone Nargis atingiu Mianmar no início do mês, matando 77 mil birmaneses, segundo o governo - 130 mil, de acordo com o Comitê Internacional da Cruz Vermelha. A ONU divulgou que entre 1,5 milhão e 2,5 milhões de birmaneses ficaram sem alimentos e água. Mas a junta militar que governa o país só aceitou alguma ajuda humanitária estrangeira após muita pressão internacional.

Ontem, a junta birmanesa incitou a população afetada pelo Nargis a ¿comer rãs¿ em vez de aceitar os “tabletes de chocolate” enviados pela comunidade internacional. A sugestão foi feita num artigo publicado no diário oficial, Nova Luz da Birmânia, em que se critica o fato da comunidade internacional ter colocado como condição para o envio de mais recursos o acesso de organizações humanitárias estrangeiras ao delta de Irrawaddy.

“A população é capaz de se recuperar do ciclone, mesmo sem a ajuda internacional”, diz a Nova Luz da Birmânia. “(Os habitantes das zonas costeiras) podem conseguir peixes e há grandes rãs comestíveis em abundância.”

(O Estado de S. Paulo, 31/05/2008) 


O texto lido é uma notícia. Notícia é a expressão de um fato novo, que desperta o interesse do público a que o jornal se destina. A notícia é um gênero textual tipicamente jornalístico e pode ser veiculada em jornais, escritos e falados, e em revistas.
Na notícia, predomina a narração. Mas os jornais não se limitam a contar o que aconteceu. Eles vão além, contando também como e por que aconteceu determinado fato.


EXERCÍCIOS:

Responda em seu caderno.

1)      A notícia, assim como a entrevista, a reportagem e o editorial, é um gênero jornalístico.

a)      Qual é o objetivo de uma notícia?

b)      Em que veículo são transmitidas as notícias?

c)      A que tipo de público uma notícia se dirige?



2)      Entre os gêneros jornalísticos, temos aqueles que priorizam a informação e os que priorizam o comentário. Os textos que priorizam a informação se ocupam de divulgar um fato novo, um acontecimento; os textos que priorizam o comentário se ocupam de expressar uma opinião, um julgamento.

a)      De que a notícia se ocupa: de informação ou de comentário?

b)      A notícia em estudo confirma sua resposta à questão anterior?



3)      Uma notícia geralmente compõe-se de duas partes: lead (lê-se “lide”) e corpo. O lead consiste normalmente no 1° parágrafo da notícia e é a parte que apresenta um resumo, feito em poucas linhas, no qual são fornecidas respostas às questões fundamentais do jornalismo: o quê (fatos), quem (personagens/pessoas), quando (tempo), onde (lugar), como e por quê. Na notícia em estudo, identifique:



a)      o fato principal;

b)      as pessoas envolvidas;

c)      quando ocorreu o fato;

d)      o lugar onde ocorreu o fato;

e)      por que aconteceu.



4)      O corpo da notícia é a parte que apresenta o detalhamento do lead, fornecendo ao leitor novas informações, em ordem cronológica ou de importância. Na notícia em estudo, que parágrafos constituem o corpo?



5)      Para ampliar o enfoque sobre o fato relado, os jornalistas costumam entrevistar pessoas envolvidas com ele. Depois, ao redigir a notícia, é comum citarem o discurso de algumas pessoas. Na notícia em estudo:



a)      Identifique uma dessas citações e dê o nome da pessoa citada.

b)      Como o leitor pode identificar esses discursos na notícia?

c)      Que tipo de discurso é empregado nos textos citados: o discurso direto ou indireto?

d)      Qual é o papel do discurso citado na notícia e nos textos jornalísticos em geral?



6)      Observe a linguagem empregada no texto.

a)      Que característica ela apresenta?

(       ) impessoal, clara, objetiva, direta, acessível a qualquer leitor

(       ) pessoal, indireta, emprega palavras de uso não coerente da língua

(       ) coloquial, faz uso de gírias

b)      Em que variedade linguística ela está?

c)      Nas formas verbais, que tempo predomina? Em que pessoa?



7)      Observe o título da notícia em estudo:

a)      Ele anuncia o assunto que será desenvolvido no texto?

b)      Ele contém palavras de uso comum, fáceis de serem compreendidas pela maioria dos leitores?

c)      Em que tempo e modo encontra-se o verbo empregado no título?



8)      Quais são as características da notícia? Responda, considerando os seguintes critérios: finalidade do gênero, perfil dos interlocutores, suporte ou veículo, tema, estrutura, linguagem.



Variedade Linguística

Aula do dia 10/02/2012.
Turmas: 1002 e 1003

VARIEDADE E NORMA

Como falante do portugues, você já deve ter percebido situações em que a língua é usada de forma bastante diferente daquela que você se habituou a ouvir nos meios de comunicação ou em outros espaços de convivência. Essa diferença pode manisfestar-se no vocábulo, na pronúncia, na estrutura de palavras e de frases.

A variação linguística é natural e decorre do fato de que as línguas são sistemas dinâmicos e extremamente sensíveis a fatores como a região geográfica, o sexo, a idade, a classe social dos falantes e o grau de formalidade do contexto.

Variedade linguística é cada um dos sistemas em que uma língua se diversifica, em função das possibilidades da variação de seus elementos (vocabulário, pronúncia, morfologia, sintaxe).

Norma culta ou padrão é a denominação dada à variedade linguística dos membros da classe social de maior prestígio dentro de uma comunidade.

Embora essa variação seja natural, os falantes de uma comunidade linguística têm, em geral, a expectativa, socialmente definida, pressupõe uma forma "correta" de uso da língua, o que implica a existência de formas "erradas". Esta é a base do preconceito linguístico.

Preconceito linguístico é o julgamento negativo que é feito dos falantes em função da variedade linguística que utilizam.

Todas as variedades constituem sistemas linguísticos adequados para a expressão das necessidades comunicativas e cognitivas dos falantes. Nenhuma variedade linguística sobreviveria se não fosse adeuqada a um determinado contexto a uma determinada cultura.

Considerar uma variedade como a única "correta" e estigmatizar as demais é, antes de tudo, emitir um juízo de valor sobre os falantes dessas variedades. Esse juízo é, por vezes, usado como um pretexto para discriminar socialmente os indivíduos..

Leia a tira:

         

A personagem Chico Bento, criada por Maurício de Souza, fala como aprendeu em sua comunidade. Ele usa a Língua Portuguesa conforme aprendeu desde o seu nascimento por meio do convívio com familiares, amigos etc.
Essas diferenças linguísticas entram em conflito com a norma culta, tanto na fala quanto na escrita.

Bibliografia: ABAURRE, Maria Luiza M. ABAURRE, Maria Bernadete M. Abaurre. PONTARA, Marcela. Português: contexto, interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2008.

A vendedora de flores

Olha aí o vídeo que a gente viu!

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

Matéria (1002 - 1003)

Elementos da comunicação

Segundo Roman Jakobson, a transmissão de uma MENSAGEM pressupõe um EMISSOR e um RECEPTOR. A mensagem requer um REFERENTE (ou contexto) a que se refira  e que seja apreensível pelo receptor; ela é expressa num certo CÓDIGO e para sua transmissão é necessário um CANAL entre o emissor e o receptor.


EMISSOR: é quem transmite uma mensagem durante a comunicação ( é a pessoa que fala no discurso – a 1ª pessoa – equivalente a EU ou NÓS).

RECEPTOR:  é para quem se transmite uma mensagem durante a comunicação (é a pessoa para quem se fala no discurso – a 2ª pessoa – equivalente a TU e VÓS).

MENSAGEM: é cada conteúdo que os interlocutores compartilham.

REFERENTE: é o conteúdo, o assunto da mensagem.

 CÓDIGO: é a linguagem ou conjunto de signos usados na elaboração e/ou na transmissão da mensagem na comunicação.

CANAL: é o meio físico por onde circula a mensagem entre o emissor e o receptor.

OBS: Roman Osipovich Jakobson (11 de outubro de 1896 - 18 de julho de 1982) foi um pensador russo que se tornou num dos maiores lingüistas do século XX e pioneiro da análise estrutural da linguagem, poesia e arte. Foi chamado de "o poeta da lingüística" por Haroldo de Campos, sendo o criador das famosas funções de linguagem.

REFERÊNCIAS: Abaurre, Maria Luíza M. Português: Contexto, interlocução e sentido. São Paulo: Moderna, 2008.

Imagem:



Texto da aula de 07 de fevereiro de 2012

Comunicação e socialização

Lembre-se o leitor como se fez gente: sua casa, seu bairro, sua escola, sua patota. A comunicação foi o canal pelo qual os padrões de vida de sua cultura foram-lhe transmitidos, pelo qual aprendeu a ser “membro” de sua sociedade – de sua família, de seu grupo de amigos, de sua vizinhança, de sua nação. Foi assim que adotou a sua “cultura”, isto é, os modos de pensamento e de ação, suas crenças e valores, seus hábitos e tabus. Isso não ocorreu por “instrução”, pelo menos antes de ir para a escola: ninguém lhe ensinou propositadamente como está organizada a sociedade e o que pensa e sente a sua cultura. Isso aconteceu indiretamente, pela experiência cumulada de numerosos pequenos eventos, insignificantes em si mesmos, através dos quais travou relações com diversas pessoas e aprendeu naturalmente a orientar seu comportamento para o que “convinha”. Tudo isso foi possível graças à comunicação. Não foram os professores na escola que lhe ensinaram sua cultura: foi a comunicação diária com pais, irmãos, amigos, na casa, na rua nas lojas, no ônibus, no jogo, no botequim, na igreja, que lhe transmitiu, menino, as qualidades essenciais da sociedade e a natureza do ser social.
Contrariamente, então, ao que alguns pensam, a comunicação é muito mais que os meios de comunicação social. Esses meios são tão poderosos e importantes na nossa vida atual, que às vezes esquecemos que representam apenas uma mínima parte de nossa comunicação total.
Alguém fez, uma vez, uma lista dos atos de comunicação que um homem qualquer realiza desde que se levanta pela manhã até a hora de deitar-se, no fim do dia. A quantidade de atos de comunicação é simplesmente inacreditável, desde o “bom dia” à sua mulher, acompanhado ou não por um beijo, passando pela leitura do jornal, a decodificação de número e cores do ônibus que o leva ao trabalho, o pagamento ao cobrador, a conversa com o companheiro de banco, os cumprimentos aos colegas no escritório, o trabalho com documentos, recibos, relatórios, as reuniões e entrevistas, a visita ao banco e as conversas com seu chefe, os inúmeros telefonemas, o papo durante o almoço, a escolha do prato do menu, a conversa com os filhos no jantar, o programinha de televisão, o diálogo amoroso com sua mulher antes de dormir, e o ato final de comunicação num dia cheio dela: “boa noite”.
A comunicação confunde-se, assim, com a própria vida. Temos tanta consciência de que comunicamos como de que respiramos ou andamos. Somente percebemos a sua essencial importância quando, por um acidente ou doença, perdemos a capacidade de nos comunicar. Pessoas que foram impedidas de se comunicar durante longos períodos enlouqueceram ou ficaram perto da loucura.
A comunicação é uma necessidade básica da pessoa humana, do homem social.

DÍAZ BORDENAVE, Juan E. O que é comunicação. São Pualo, Nova Cultura/brasiliense, 1986. p. 17-9.


EXERCÍCIOS:

1) Releia atentamente o primeiro parágrafo e responda: qual a relação entre comunicação e cultura?

Resposta: A cultura foi adquirida por meio da comunicação, numa infindável sequencia de pequenos atos comunicativos cotidianos. 

2) O segundo parágrafo nos fala em "meios de comunicação social". O que você entende sobre eles?

Resposta: Essa expressão se relaciona com os meios de comunicação de massa, aos quais normalmente se remete quando se pensa em comunicação.  (TV, rádio, internet etc)

3) O que pensa o autor sobre os meios de comunicação social?

Resposta: O autor deixa claro que os meios de comunicação de massa, apesar de poderosos, constituem apenas uma parte mínima da nossa comunicação.

4) O terceiro parágrafo é construído por enumeração: uma longa série de atos de comunicação cotidiana nos é apresentada pelo autor. Como podemos relacionar esses atos com os meios de comunicação social do parágrafo anterior?

Responda: Essa enumeração coloca em evidência aquilo que o autor havia declarado no parágrafo anterior: note-se que, nessa lista bastante extensa, a maioria absoluta dos atos de comunicação escapa do circuito dos meios de comunicação de massa, realizando-se nos níveis mais pessoais do cotidiano. 

5) O quarto parágrafo nos coloca uma conclusão sobre o assunto levantado e discutido pelo texto. Qual a frase ou passagem que sintetiza essa conclusão?

Responda: "A comunicação confunde-se, assim, com a própria vida."

6) Relendo cuidadosamente as questões anteriores, é possível detectar o percurso seguido para atingir sua conclusão no quarto parágrafo. Comente esse percurso.

Resposta: O autor principia seu texto relacionando cultura e comunicação; alude aos meios de comunicação social;  mostra que a comunicação vai muito além desses meios, sendo sendo parte de cada pequeno ato cotidiano, e se encaminha assim para a conclusão de que a comunicação se confunde com a própria vida, pois é uma necessidade básica do ser humano.

Bons estudos!
Profa. Luana Nascimento

Procura da Poesia (Carlos Drummond de Andrade)

Não faças versos sobre acontecimentos.
Não há criação nem morte perante a poesia.
Diante dela, a vida é um sol estático,
não aquece nem ilumina.
As afinidades, os aniversários, os incidentes pessoais não contam.
Não faças poesia com o corpo,
esse excelente, completo e confortável corpo, tão infenso à efusão lírica.
Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.
Não cantes tua cidade, deixa-a em paz.
O canto não é o movimento das máquinas nem o segredo das casas.
Não é música ouvida de passagem, rumor do mar nas ruas junto à linha de espuma.
O canto não é a natureza
nem os homens em sociedade.
Para ele, chuva e noite, fadiga e esperança nada significam.
A poesia (não tires poesia das coisas)
elide sujeito e objeto.
Não dramatizes, não invoques,
não indagues. Não percas tempo em mentir.
Não te aborreças.
Teu iate de marfim, teu sapato de diamante,
vossas mazurcas e abusões, vossos esqueletos de família
desaparecem na curva do tempo, é algo imprestável.
Não recomponhas
tua sepultada e merencória infância.
Não osciles entre o espelho e a
memória em dissipação.
Que se dissipou, não era poesia.
Que se partiu, cristal não era.
Penetra surdamente no reino das palavras.
Lá estão os poemas que esperam ser escritos.
Estão paralisados, mas não há desespero,
há calma e frescura na superfície intata.
Ei-los sós e mudos, em estado de dicionário.
Convive com teus poemas, antes de escrevê-los.
Tem paciência se obscuros. Calma, se te provocam.
Espera que cada um se realize e consume
com seu poder de palavra
e seu poder de silêncio.
Não forces o poema a desprender-se do limbo.
Não colhas no chão o poema que se perdeu.
Não adules o poema. Aceita-o
como ele aceitará sua forma definitiva e concentrada
no espaço.
Chega mais perto e contempla as palavras.
Cada uma
tem mil faces secretas sob a face neutra
e te pergunta, sem interesse pela resposta,
pobre ou terrível, que lhe deres:
Trouxeste a chave?
Repara:
ermas de melodia e conceito
elas se refugiaram na noite, as palavras.
Ainda úmidas e impregnadas de sono,
rolam num rio difícil e se transformam em desprezo.